INICIANTE

 

CRUA - 1ª GRADUAÇÃO (ALUNO INICIANTE) - (1ª GRAU);

CRUA e AZUL - 2ª GRADUAÇÃO (ALUNO INICIANTE) - (2ª GRAU);

 

CRUA e MARROM - 3ª GRADUAÇÃO (ALUNO INICIANTE) - (3ª GRAU);

CRUA e VERDE - 4ª GRADUAÇÃO (ALUNO INICIANTE) - (4ª GRAU);

CRUA e AMARELO - 5ª GRADUAÇÃO (ALUNO INICIANTE) - (5ª GRAU).

 

 

INICIADO

 

AZUL 1ª GRADUAÇÃO  (ESTAGIÁRIO) - (1ª GRAU);

AZUL e MARROM - 2ª GRADUAÇÃO  (ESTAGIÁRIO) - (2ª GRAU);

MARROM 3ª GRADUAÇÃO  (GRADUADO) - (1ª GRAU);

MARROM e VERDE - 4ª GRADUAÇÃO  (GRADUADO) - (2ª GRAU);

VERDE 5ª GRADUAÇÃO  (MONITOR) - (1ª GRAU);

VERDE e AMARELO - 6ª GRADUAÇÃO  (MONITOR) - (2ª GRAU);

AMARELO 7ª GRADUAÇÃO  (INSTRUTOR) - (1ª GRAU);

AMARELO e ROXO - 8ª GRADUAÇÃO  (INSTRUTOR) - (2ª GRAU);

ROXO 9ª GRADUAÇÃO  (PROFESSOR);

VERMELHO MESTRE; 

BRANCO MESTRE (graduação dada a máxima autoridade do grupo).

 

 

 

 

Sistema de Graduação

 

Atualmente, apesar de alguns grupos não cultivarem a utilização de qualquer tipo de graduação, a grande maioria dos mestres adotou o cordel como mecanismo de avaliação. Defendemos o respeito a toda e qualquer opção do mestre, grupo ou associação pela forma de graduação, e aceitamos a decisão dos grupos de criarem, com independência, a sua seqüência de cores e números de cordéis que acharem conveniente, ou outro tipo de avaliação, sem ter que necessariamente se filiarem a uma federação ou confederação para desenvolverem seus trabalhos. O verdadeiro sentido da conquista do cordel deve ser o do acúmulo de experiência e jamais usado para demonstrar superioridade.

O Centro Cultural Camará Capoeira não adota cores ou graduações tiradas de qualquer coisa que não a própria arte, nem tampouco a simples cópia de conceitos de hierarquia segundo manuais militares e culturas exóticas, reafirmando os valores culturais do povo que as criou. Muitos sistemas de artes marciais têm faixas cujas cores variam do branco para o preto, como a lembrar constantemente o aluno que há mais para aprender além de toda a proficiência que ele já possa ter. Todo esse aprendizado é uma escada com incontáveis degraus. A cada degrau galgado, o objetivo - unificação espiritual e física da mente e do corpo - parece parar e a escada serpenteia infinitamente para o alto. Essa conscientização vale inclusive para os mestres, pois cada um deles teve um mestre antes dele. O principiante da maioria das artes marciais orientais usa uma faixa branca que, segundo a tradição, significa inocência. Com o passar do tempo, os próximos estágios do aprendizado são representados por faixas de cores mais escuras. Quanto mais o tempo passa, mais escura a faixa se torna, até atingir o estágio da faixa preta. Com mais uso ainda, a faixa preta gasta-se, ficando quase branca, significando que aquele que a usa está voltando para a fase de inocência - uma característica Zen da perfeição humana. Na Capoeira isto está representado pelo ciclo das cordas que inicia-se pela corda crua, sem cor (ou seja, branca), e culmina com a corda de mestre, branca. O Sistema de Graduações do Centro Cultural Camará Capoeira segue a fundamentação elaborada por Mestre Zulu (Grupo Beribazu) no dia 22 de novembro de 1979, sendo caracterizado através dos aspectos místico-religiosos e da relação das fases sociais vividas pelo negro no Brasil com a trajetória histórica da Capoeira, relacionando cada período ao domínio de irradiação de um dos Orixás do Candomblé e da Umbanda, através de sua cor representativa. Tal relação é de caráter meramente filosófico, sem o comprometimento da Capoeira com rituais místico-religiosos. Contando o negro com uma religiosidade de símbolos e valores africanos, com predominância quase absoluta, tão vivos e tão presentes no seu cotidiano e sendo a cultura motriz do negro africano o elemento primário na formação da Capoeira, não haveria outra alternativa com afinidade cultural maior senão a da concatenação de cada vivência social do segmento negro a uma ambiência esotérica respectiva de cada Orixá e assim estabelecer uma ordenação hierárquica de cores para o sistema de graduações de Capoeira” (Zulu, 1995). Para a materialização das cores como insígnia do mérito capoeirístico, são usadas doze cordas coloridas para as graduações diferenciadas, acercadas de uma mística contextualizada no acervo cultural do negro. Tal relação é de conotação puramente filosófica, portanto, desvinculada de qualquer indução, aliciamento ou orientação para qualquer prática religiosa.

 

SÍNTESE DO SISTEMA DE GRADUAÇÃO INICIANTE

 

Primeiras Cordas – Cruas: aluno iniciante. Fase Social Vivida Pelo Negro: Negro Livre. Marcada pelo aprisionamento do Negro na África. Assim como o negro na África tinha o futuro pela frente, o calouro se depara com a oportunidade de adentrar no universo da Capoeira. A ausência de cor numa metade da corda representa toda a inexperiência do aluno diante do universo da Capoeira. Representa também o período compreendido entre o aprisionamento do negro na África e o seu transporte pelo mar.

 

SÍNTESE DO SISTEMA DE GRADUAÇÃO INICIADO

 

Primeira Corda Azul: aluno estagiário 1º grau. Fase Social Vivida Pelo Negro: Negro Cativo. Marcada pelo transporte do Negro pelo Atlântico nos navios negreiros e efetivação da venda para os senhores em terras brasileiras. As viagens dos cativos eram verdadeiros martírios em alto mar. Transformado em carga nos navios negreiros, o negro só podia contar com a proteção de Iemanjá, senhora das ondas e das oferendas, rainha das marés, do mar e suas areias, onde reina angusta e soberana. É no mar que ela recebe as dádivas de seus adeptos, os preceitos e os pedidos de proteção. e abre os caminhos pela atração. Rainha do Mar, é um do orixás mais conhecidos do Brasil. Senhora das águas, não há filho que não faça sua reverência ao por seus pés no mar. Iemanjá é Nossa Senhora da Imaculada Conceição na Umbanda. Iemanjá é conhecida nos terreiros pelo seu canto longo (outros dizem que é uma espécie de choro), suas mãos fazem movimentos para frente e para cima como se fossem ondas do mar. Iemanjá não tem uma falange específica, porém em sua linha há as sereias e princesas do mar, conhecidas por Janaína. Sua imagem é representada por uma mulher de cabelos compridos e negros, com um vestido azul comprido de mangas largas sobre as águas e com flores a sua volta, de suas mãos saem gotas de águas que mais se parecem com moedas (a riqueza do mar), na cabeça uma coroa que pode ter uma estrela no centro. Iemanjá é, por excelência, um arquétipo da maternidade - generosa, vasta e poderosa como as águas oceânicas que cobrem a maior parte da superfície da Terra. No Brasil, adorada com igual fervor por fiéis de Umbanda e Candomblé, ela foi alçada à posição de principal figura materna no panteão patriarcal iorubá, aquela que, de cuja união com Oxalá, gerou todos os outros orixás, tendo inclusive, perfilhado Omulu e Oxumaré, adotados da tradição Gegê. Seu sincretismo com Nossa Senhora, a Virgem-mãe de Jesus Cristo, sugere a supremacia da função materna da mulher. Como Maria, o principal atributo de Iemanjá parece ser a compaixão. Seu reino espiritual é transbordante de perdão e amor incondicional, mesmos sentimentos que marcaram os sermões e curas milagrosas de Jesus nos primórdios da Era. Ela sempre tem ouvidos para escutar seus filhos que vem a Ela, ao qual sempre oferece seu colo para aconchego e consolo. Quando invocada, Iemanjá ajuda os fiéis levando embora seus sofrimentos emocionais para as ondas do mar sagrado. Tal qual Maria, ela é bendita entre as mulheres por ter-se dedicado de corpo e alma à sagrada função da maternidade. Fechando seus olhos para as nossas faltas, ela roga (e chora) a Deus por todos e cada um de nós pelo nosso bem. Cor : Azul ou Azul e Branco. Guia : Contas de cristal azul ou contas de cristal azul e branca (maior predominância do azul). Flores : Margaridas e rosas brancas e crisântemos brancos e azuis. Vestes : Vestido ou roupa azul, coroa azul e branca. Local : Mar e Oceanos. O mar foi início e fim de muitas vidas africanas, abalroadas pela escravidão. Ao iniciar–se na prática da Capoeira, o indivíduo também tem sua vida modificada. Azul é a cor da purificação, a única que tem como grande poder desintegrar energias negativas. Estimula a introversão, a busca da verdade interior e é sedativa. Favorece a inspiração, a amabilidade, a paciência e a serenidade.

 

Segunda CordaAzul - Marrom: aluno estagiário 2º grau. Negro Desterrado. Caracterizado pela destruição da estrutura familiar e valores culturais. A junção da água com a terra dá início a vida vegetativa. Ao aportar no Brasil, o negro é levado ao valongo e vendido como mercadoria. Coisificado e explorado como “semovente de produção”, o negro toma consciência das novas condições de vida na terra brasilis. 

 

Terceira CordaMarrom: aluno graduado 1º grau. Negro Escravo. Caracterizado pelo trabalho servil. O negro africano é coisificado e, além da subjugação cultural e da perda da liberdade, é explorado como "semovente de produção" e patrimônio de um "senhor", dito seu dono absoluto, que o desesperançava de alcançar a liberdade para o corpo e para a alma. Desterrado de seu torrão natal, o negro sofria duplamente, e portanto, pois acreditava que fora do âmbito da terra e do céu da África, o Orixá dos trovões, dos raios e do fogo, Xangô, guardião dos céus e da terra, o grande guerreiro que castiga os faltosos, não acolheria seu espírito desencarnado. No sincretismo religioso Xangô representa a linha protetora do céu (olorum) e da terra (aganju), que leva ao batismo espiritual a todo que nascem e vivem na terra. O sincretismo entre Xangô e São Jerônimo está no temperamento forte, crítico e na medida que ambos são conhecedores de leis e mandamentos. Sua imagem é representada por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado. Xangô tem sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô. Na incorporação de Xangô podemos ver o médium curvado, como uma pessoa idosa e com os braços cruzados sobre o peito, batendo firmemente, assim como S. Jerônimo fazia com as pedras em seu peito para afastar os males da carne e a tentação do espírito. Guia : Contas de cristal marrom escuro, com ou sem crucifixo de madeira. Vestes : roupas de cor marrom e branca. Local : Pedreiras. 

 

Quarta Corda Marrom - Verde: aluno graduado 2º grau, estagio p/monitor. Negro Fugido. Caracterizado pela fuga do negro da senzala para as matas, abandonando as terras do senhor. É a alternativa preferida pelos escravos para conquistarem a liberdade, a qual poderia ser duradoura ou não. A semente da Capoeira começa a enraizar-se no aluno, mostrando suas primeiras folhas. O praticante começa a procurar seu próprio caminho para a liberdade e começa a ser guiado para ele.

 

Quinta CordaVerde: monitor 1º grau. Negro Quilombola. O ajuntamento de negros fugidos fez surgir os Quilombos, comunidades independentes, muito dinâmicas, de grande riqueza sociocultural, cada qual com sua importância e com a sua peculiaridade, e em alguns casos, muito bem estruturados política, econômica e socialmente, como foi o caso de Palmares. O quilombola tinha nas matas o seu ambiente, a sua moradia e refúgio. Nas matas está o domínio fisioesotérico de Oxóssi, um príncipe caçador que parece ser a encarnação da eterna juventude. A relação de Oxóssi com S. Sebastião está no símbolo da flecha e do arco. São Sebastião, santo e mártir católico, é apresentado rendido, amarrado e com flechas cravadas em seu corpo. Arquetipicamente , o caçador é aquele que penetra um espaço selvagem buscando algo que apenas será efetivamente validado quando ele voltar à sua comunidade (aldeia, vila ou cidade). Detentor da sabedoria nas folhas da Jurema, Oxóssi é o orixá do trabalho (empregos), da linha da cura e chefe na linha dos caboclos. Por ser caçador, também é conhecido por suas vitórias contra as demandas. Oxóssi é raramente encontrado nos terreiros de umbanda, mas é muito bem representado pelos caboclos/caciques/índios da casa. Cor : verde claro, verde folha ou verde bandeira. Guia : contas de cristal verdes ou contas de cristal verdes e brancas. Vestes : roupas verdes e brancas ou totalmente verdes, usam o cocar que pode ser colorido ou totalmente verde. Flores : samambaias, folhagens e flores em geral. Local : Matas e florestas. O praticante já escolheu seu caminho de vida e busca a transformação de seu corpo em arma para a libertação, inclusive de seu espírito, também após a morte. O verde da corda representa esperança e abundância. Estimula momentos de paz, de equilíbrio e de cura. É a cor do desvendar de mistérios. 

 

Sexta CordaVerde - amarela: monitor 2º grau, estagio p/ instrutor. Negro Senzaleiro. Caracterizado pela disseminação da Capoeira nas senzalas, através dos quilombolas recapturados pelos senhores de engenho. O aluno começa a amadurecer seus conhecimentos; brotam os primeiros frutos na árvore adulta. 

 

Sétima CordaAmarela: instrutor 1º grau. Fase do Negro Capitão de Areia. Caracterizado pela figura do “Liberto Ingênito” que alcançava a delinqüência tornando-se o “capitão-de-areia”. Representa a fase decorrente da promulgação da Lei do Ventre Livre em 1871, com seu aspecto dúbio, já que a criança nascia livre como as águas doces nas nascentes, mas por não ter condições de se manter plenamente livre, acabava caindo na delinqüência e na marginalidade como as águas em queda numa cachoeira, pois para os senhores de escravos os dividendos decorrentes da aprovação da Lei do Ventre Livre seriam maiores do que manter obrigações de sustento das eventuais "crias das negras". Oxum, filha mimada de Oxalá, deusa do amor, é detentora de grande beleza, encanto e perfeito símbolo dos traços ideais feminino. Tem seu domínio fisioesotérico nas cachoeiras, nos rios, nas águas doces. Oxum é o orixá da paz e da união; é a mãe benevolente que nos leva pela mão, para que passemos pela vida nessa Terra. Muitos são seus ensinamentos e todos são voltados para a confraternização. Esse orixá tem na beleza e elegância sua grande identidade. Normalmente é sincretizada com diferentes Nossas Senhoras, por que a imagem de Nossa Senhora foi encontrada no rio. Sua cor é o roxo, mas em muitos terreiros é o amarelo-ouro, isso por que a sereia das águas doces, que traz a felicidade, a saúde, o amor e conforto material aparece como a entidade daomeana Oxumaré/Bessen e então é chamada de "A Mãe do Ouro". Oxum é sedutora, elegante, exala beleza e feminilidade. Ela foi uma das 3 esposas de Xangô na lenda Iorubá. E a responsável pelo ciúmes exagerado de Obá. Como o rio, que sempre caminha pro mar, a Oxum da Umbanda está diretamente ligada à Rainha do Mar, encabeçando a legião das sereias de águas doces. Para o praticante, significa o aprofundamento nas raízes de sua cultura e o embasamento dos conhecimentos que lhe serão úteis para a manutenção de sua liberdade. A cor amarelo ativa o intelecto, a comunicação, a concentração, a disciplina, a atenção aos detalhes e a harmonia do todo. Ajuda também a clarear as idéias. É aconchegante, positivo e está associado à flexibilidade e à boa sorte.

 

Oitava CordaAmarelaroxa: instrutor 2º grau, estagio p/professor. O capoeirista está se formando no conhecimento hierárquico de seu grupo, tem embasamento filosófico, teórico e prático da Capoeira e tem consciência política e cultural da sua representatividade na cultura afro-brasileira.

 

Nona CordaRoxa: aluno formado (professor). Fase do Negro Sexagenário. A vigência da Lei dos Sexagenários, à primeira vista, apresentava-se como uma generosa concessão. No entanto, faltava ao escravo sexagenário, condições de vida para exercer uma atividade lucrativa capaz de promover a sua manutenção. Tal situação promoveu uma dualidade na vida do negro: a liberdade almejada e o desafio da sobrevivência na velhice. A liberdade sem berço é representada pelos ventos de origem incerta; o desafio da sobrevivência é representado pelas tempestades. Livre de preconceitos e sempre em mutação, Iansã não teme nada; é a altiva guerreira que domina as tempestades, vendavais e trovões, os quais maneja de acordo com seu próprio ajuizamento. Iansã é um Orixá forte, determinada e impulsiva, tem a personalidade guerreira. Sempre luta por uma causa nobre e por justiça. Senhora dos ventos e das tempestades, é rápida como eles e não foge as demandas, sendo sempre muito destemida. É representada na Umbanda como Santa Bárbara, com expressão altiva, o braço direito estendido para cima e com a mão direita a balançar, como se estivesse chamando os raios, sempre séria e de porte de guerreira, batalhadora e lutadora. Iansã pode aparecer tanto na sua própria linha como na linha de Iemanjá - adentrando assim na linha das águas. Nesta fase, o praticante é um guerreiro que luta pelas questões sociais e culturais legadas pela Capoeira, desenvolvendo ainda mais as virtudes da coragem e da justiça. Descobre todo o seu potencial criativo, criando e saindo das situações que se apresentam. É o período de aguçamento dos sentidos para a malícia e o perigo dos movimentos e golpes.

 

Décima CordaVermelha: mestre. Fase do Negro Liberto. Representa a fase advinda com a vigência da Lei Áurea, de 13 de maio de 1888. A sociedade da época via o negro liberto como ignorante, preguiçoso e desordeiro e o marginalizava. Este, por sua vez, nas busca pela sobrevivência, notabilizou-se como guerreiro, participando de maltas e empreitadas como capanga. As rivalidades entre as maltas de capoeiras eram seríssimas e os confrontos eram sempre sangrentos. A polícia era o terror dos escravos libertos. A atitude guerreira do negro liberto se ajustava no domínio de irradiação de Ogum. Ele é o dono das estradas e das ruas, um solteirão que mora a céu aberto e simboliza a energia ativa, está no ferro, nos desastres, nas guerras e nas demandas espirituais. No sincretismo religioso representa a linha guerreira. É o rei do ferro e protetor de todos os que venham a trabalhar com instrumentos metálicos. Conhecido e festejado na África como padroeiro da agricultura. Ogum é o orixá que vence demanda, que protege seus filhos e guarda sua casa. Ogum é um orixá que vira na esquerda, pois é chefe de Exu, pois enfrentou eles e obteve respeito dos mesmos, essa característica também pode ser percebida uma vez que seu nome aparece também em pontos cantados de Exu. Sua imagem é de São Jorge sobre o cavalo, mas também pode ser uma imagem de um Ogum especificamente (dependendo do terreiro). São Jorge é extremamente popular e, através de sua sincretização com Ogum, tornou-se o padroeiro da guerra e da tecnologia, simbolizando todo aquele que trabalha nas linhas de frente, abrindo novos caminhos e alargando fronteiras. Cor : Vermelho e branco Guia : contas de cristal vermelha e branca, dependendo da falange pode ter maior predominância de uma cor do que de outra. Suas vestes : são roupas vermelhas e brancas, com uma capa vermelha. Planta : Espada de São Jorge. Flor : Palmas brancas e vermelhas. Local : Humaitá e campinas, beira de trilhos do trem. Símbolos : espada e lança, além do escudo. Nesse momento, o praticante está apto a assumir seu papel de capoeirista, pois já detém a consciência crítica de todo o processo antropológico e sociológico pela qual a Capoeira passou e tem passado, representada na cor do sangue derramado por todos os lutadores pela liberdade e justiça. Sua vida se determina pelas regras da Capoeira e a liberdade é sua única meta. Ele próprio passa a ser um elo dessa remota tradição. O Vermelho é a cor do fogo, da paixão, do entusiasmo, dos impulsos. Estimula reações diretas e até mesmo agressivas - força, valentia, tenacidade (persistência, vigor). Simboliza também a aproximação e o encontro entre as pessoas. 

 

Décima Primeira Corda Branca: Mestre (graduação dada a máxima autoridade do grupo). Fase do Negro Cidadão. Representa a fase em que o negro consegue reconhecer-se criticamente a partir de sua inserção na sociedade e torna-se consciente de seus direitos universais de cidadania. A partir daí aprende a ser universal. Com a veiculação secular de imagens estereotipadas do negro, formou-se um racismo dissimulado. O seu combate exige o envolvimento consciente de todos os segmentos sociais na busca de uma cidadania plena para todos. O Negro Cidadão surge na sociedade brasileira quando o ex-escravo ou seus descendentes tomam consciência da universalidade dos direitos e dos deveres e assimilam os valores socioculturais. O exercício da cidadania plena está associada à universalidade das irradiações do domínio fisioesotérico de Oxalá, divindade da criação, da pureza e da paz. É o Chefe Supremo da Corte e o pai de quase todas as divindades. No Brasil, Oxalá adquire maior abrangência, especialmente na Umbanda, onde é sincretizado como Nosso Senhor Jesus Cristo ou Zambi - entidade suprema para os bantos, a qual por sua vez, é comparável ao Deus católico e ao Olorum iorubá. Na Nigéria, Oxalá é um dos três avatares de Obatalá, ao lado de Oxalufã e Oxaguiã, que, a princípio, seriam duas entidades independentes, e não apenas "qualidades" de Oxalá como no Brasil. Aqui, Oxalá foi elevado ao mesmo nível hierárquico de Obatalá, que na África, era seu superior. Nos altares de Umbanda é comum vermos a figura tranquilizadora do Cristo de braços abertos e não numa cruz, oferecendo seu amor e caridade indistintamente a todos. Sua cabeça aureolada emite a luz do conhecimento espiritual que esclarece questões e apazigua conflitos, abrandando o ardor dos espíritos inflamados. Ele é quem dá as ordens a todos os orixás para virem até a Terra ajudar seus filhos. Sua imagem é qualquer representação de Jesus Cristo, normalmente sem a Cruz. Não há incorporação de Oxalá na Umbanda. Cor: Branca. Flor: Flores brancas em geral (rosas, lírios, crisântemos, etc.) Guia: Contas de cristal transparente ou miçangas branca leitosa. Esta fase, só atingida com o tempo e a vivência, é caracterizada pela conscientização dos valores sociais e culturais, e pela iniciação de campanhas para o reconhecimento da igualdade de direitos e deveres para todos, bem como a integração do homem no contexto social sem discriminação de cor, origem ou fé. O capoeirista torna-se um mentor, refletindo na corda branca a paz conquistada pela sua persistência. O branco contém todas as cores. É purificador e transformador. Representa a perfeição e o amor divino. Estimula a humildade e a imaginação criativa. Produz sensação de limpeza e claridade e, ao mesmo tempo, de frieza e esterilidade. Como as demais graduações da Capoeira, só é conquistada pelo trabalho em benefício da preservação dos valores da Capoeira, além de ter, reconhecidamente, um excelente nível técnico. Não significa, porém, que o capoeirista saiba tudo, pois o verdadeiro capoeira nunca pára de aprender.

GRADUAÇÃO 

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